Que Cusco é uma cidade linda você provavelmente já ouviu falar. É um verdadeiro caldeirão histórico e cultural, cheia de sítios arqueológicos por perto, montanhas, belezas naturais, história do império inca por todos os lados – e, claro, é o ponto de partida para conhecer Machu Picchu.
É também muito turística – muito mesmo, o que você mais vê pela cidade são agências oferecendo passeios pra tudo quanto é lado, além de uma multidão de turistas pelas ruas. E o Peru sabe explorar bem os turistas – pra visitar praticamente qualquer coisa você precisa comprar o tal Boleto Turístico.

O QUE É O BOLETO TURÍSTICO
O Boleto Turístico custa 130 soles (uns 200 reais) e vale por 10 dias. Ele inclui a entrada dos principais pontos pra visitar em Cusco e região: os sítios arqueológicos dos pueblos do incrível Valle Sagrado e também os espalhados pela cidade, além de alguns museus. Você com certeza vai precisar dele pra visitar as principais atrações de Cusco (e não tem como comprar as entradas separadas, é só com o boleto mesmo).
Tem também a opção de boleto de 2 dias (70 soles), mas aí você tem que escolher visitar ou o Valle Sagrado, ou os Sítios Arqueológicos da cidade e museus, o que não faz muito sentido, já que ambos são incríveis. Só compensa se você realmente só tiver dois dias em Cusco.
Você compra o boleto turístico no Centro, na Municipalidad de Cusco, na Av El Sol, perto da Plaza de Armas. O pagamento é em dinheiro, e funciona das 8h às 18h.
O QUE CONHECER EM CUSCO
Tudo começa na Plaza de Armas, ou Plaza Mayor, o centro de Cusco. Ali você pode conhecer a catedral e o templo dos jesuítas, além de diversos outros templos e museus pela região.
O Mercado San Pedro é um passeio bem legal – um mercadão com várias opções de compras, entre artesanatos, pães, queijos, frutas, verduras e tudo que é tipo de coisa, além de almoços barateza. E o mercado continua pela rua, tem muita gente sentada na calçada vendendo tudo quanto tipo de coisa – aliás, essa região próxima ao mercado é bem barata, dá pra achar lugares bons e baratos pra comer.
Qoricancha, um importantíssimo centro cerimonial inca (o Templo do Sol), fica pertinho do centro, e é uma visita imperdível. Só que essa entrada não está incluída no Boleto Turístico (só a do museu de Qoricancha), custa 20 soles. Mas vale muito a visita. O museu é pequeno, mas vale visitar pra entender um pouco mais sobre a cultura inca e de outros povos antigos, e também ver duas múmias por lá.

Também perto do centro fica San Blás, um bairro mais no alto do morro, de onde você tem vistas lindas no mirante. Tanto no centro como em San Blás tem vários cafés e bons restaurantes. Claro que é uma região mais cara, bem turística.

Pra ter uma vista ainda mais legal de Cusco, de San Blás você pode subir para o Cristo Blanco, um mirante lindão da cidade toda. Mas cansa pra caramba subir naquela altitude toda, Cusco fica a aprox 3.500m de altura!
Ali ao lado fica Saqsaywaman, uma das principais zonas arqueológicas de Cusco – e fica dentro da cidade. É uma fortaleza enorme, feita no formato da cabeça de um puma, bem no alto – e o centro de Cusco forma o corpo do puma. Uma visita imperdível, e que está inclusa no Boleto Turístico. Dá pra ir andando de boa até lá, só cansa bastante por ser um subidão (leva uns 30 min saindo do centro). E tem uma segunda entrada, na parte alta (dá pra pegar um uber até lá, se for por conta própria e não quiser subir tanto).

Perto de Saqsaywaman ficam outras três zonas arqueológicas: Qenqo, Puka Pukara e Tambo Machay. Dá pra conhecer as quatro em um dia (é o City Tour oferecido por várias agências, um transporte entre elas). Mas dá pra fazer tudo a pé também, principalmente se começar por Tambo Machay, no alto, e vir descendo – em meio dia dá tempo de conhecer tudo caminhando. Aa maior distância é entre Puka Pukara e Quenqo, leva mais ou menos 1h andando – depois de Qenqo pra Saqsaysaman, chega nuns 15 min.
VALLE SAGRADO
O Valle Sagrado é formado por cidades que ficam próximas à Cusco, e são passeios lindíssimos com muitas zonas arqueológicas também. As principais cidades são Ollantaytambo (que, aliás, é o ponto de partida pra Machu Picchu, de trem ou pela trilha inca) e Písac. As duas são lindas, conhecidas como pueblos mágicos, e com muita história pra contar em suas zonas arqueológicas.

Em Ollantaytambo fica um sítio arqueológico impressionante, que foi um importantíssimo centro cerimonial, militar e administrativo inca. Vale muito a pena passar a noite em Ollanta pra poder visitar as ruínas logo cedo, sem aquelas hordas de turistas que vem com as vans nos passeios pelo Valle Sagrado. Pra fazer o circuito completo pelas ruínas, é bom ter umas três horas, pra dar tempo de fazer todas as subidas e descidas e percorrer todo o complexo. E Ollanta tem outras atrações imperdíveis, como a ruínas Pinkuylluna, que são gratuitas (antigos mausoléus no alto da montanha) e também ficam no coração da cidade.

E Písac tem vistas incríveis dos andenes semi circulares e ruínas com vários recintos diferentes, no alto da montanha, outro passeio imperdível. Em breve vai sair um post só com dicas sobre Ollantaytambo e Písac.

Você pode conhecer o Valle Sagrado em um passeio, várias agências oferecem o tour de um dia por essas duas cidades, mais Chinchero e Maras ou Moray, a partir de uns 60 soles (uns 90 reais), ou então por conta própria, pegando os colectivos pra visitar as cidades. Eu prefiro ir por conta própria, fica mais barato e você pode ficar quanto tempo quiser em cada lugar, acho bem mais divertido. Sem falar que preferi passar a noite em Ollantaytambo, e adorei.
Fique ligado que Písac fica para um lado (mais para o norte, a uns 45 min de Cusco), e Ollantaytambo para o outro (a quase 2h de Cusco). Até dá pra visitar as duas num dia só, mas tem que organizar direitinho. Uma outra opção é visitar Chinchero na volta de Ollanta pra Cusco, já que fica no caminho. E Tambo Machay e Puka Pukara (sítios arqueológicos dentro de Cusco) ficam no caminho pra Písac, dá pra aproveitar pra conhecer no mesmo dia, se quiser (pega o coletivo pra Písac e pede pra descer por ali).
Pra ir de colectivo para as cidades do Valle Sagrado, tem que dar uma pesquisada pra ver em qual terminal ir, já que Cusco tem vários terminais espalhados pela cidade (e o mesmo vale pra ônibus, já que tem companhias que têm seu próprio terminal).

OUTROS PASSEIOS PELA REGIÃO DE CUSCO
Tem um zilhão de opções de passeios próximos a Cusco, dá pra você passar uns 10 dias na cidade sem conhecer todos eles. Algumas outras opções são as Salineras de Maras e Moray, a Montaña de los 7 colores (ficou bem famoso pelas montanhas coloridas, mas fique esperto, é super puxado, mega altitude, muita gente passa mal – sem falar que tem uma quantidade gigante de turistas por lá) e a Laguna Humantay (lindíssima e mega alta, quem faz a trilha salkantay pra Machu Picchu conhece a laguna no primeiro dia – é um rolezão longo e difícil, de dia inteiro).
Tem vários outros passeios, as agências vivem inventando coisas pra manter os turistas ocupados e gastando dinheiro ;)
MACHU PICCHU
Machu Picchu, obviamente, é um dos principais passeios pra se fazer pela região de Cusco.
Foi a principal cidade inca e é uma verdadeira obra de engenharia e arquitetura, construída no alto da montanha, praticamente no meio das nuvens. Foi abandonada na segunda metade do século XVI e descoberta por acaso, e hoje em dia é um dos locais mais visitados do mundo.

O jeito mais rápido de chegar lá é de trem (ônibus de Cusco a Ollantaytambo, depois trem até Águas Calientes, levando aprox 4h – depois você ainda tem que pegar o ônibus pra subir de Águas Calientes até Machu Picchu, ou caminhar por uma estradinha lazarenta cheia de curvas morro acima por 1h30 mais ou menos). O trem é bem caro (em média uns 100 dólares o trecho), e o ônibus acrescenta mais 12 doletas por trecho.
Pra baratear, uma opção é pegar uma van até a estação hidroelétrica (60 soles), e depois fazer um trekking de 3h até Águas Calientes. É um jeito bem interessante de chegar a Machu Picchu também – o trekking é beirando o trilho do trem e o rio, com visuais bem bonitos, e plano na maior parte, de boa de fazer. Em breve vai sair um post com mais infos sobre essa trilha.
Mas o jeito mais legaa de chegar a Machu Picchu é fazendo a Trilha Inca de 4 dias, passando por várias ruínas do que eram check points incas pelo caminho – é uma experiência incrível, que precisa de bom preparo físico, de reserva antecipada (pelo menos dois meses) e dinheiro (em 2024 estava em média uns 750 dólares). Aqui nesse post conto em detalhes como é fazer a Trilha Inca Clássica (fiz em 2008).
E ainda tem a trilha alternativa Salkantay, uma caminhada de 5 dias, por outros caminhos, diferente da trilha inca clássica. Em ambas você acampa durante o trajeto, mas na Salkantay você chega a Águas Calientes na quarta noite, dorme em pousada, e no quinto dia sobe pra Machu Picchu (na trilha inca você chega direto a MP no quarto dia cedo, entrando pelo portal do sol (Inti Punku). A Salkantay você encontra até por uns 290 dólares. Aqui nesse post conto em detalhes como é fazer a Trilha Salkantay (fiz em 2016).
COMO CHEGAR EM CUSCO
Muita gente voa do Brasil direto pra Cusco. Se já estiver no Peru, tem várias cias de ônibus que fazem o trajeto, mas o melhor jeito de viajar pelo Peru é a com o Peru Hop . É uma empresa com ônibus super confortáveis no estilo hop on hop off – você escolhe os destinos que quer visitar, pode ficar quantos dias quiser em cada lugar, e eles te buscam no hotel e te entregam na tua próxima hospedagem. É super prático, você economiza nos uber/táxi até a rodoviária e hotel, e eles ainda organizam passeios e dão desconto em hospedagens.
Achei um jeito ótimo de viajar pelo Peru. As distâncias entre os principais destinos são bem grandes, e nem sempre é fácil casar o horário de um ônibus com outro, em locais onde você não pretende ficar muito tempo. O Peru Hop já oferece opções bem práticas, como por exemplo Lima – Paracas – Huacachina e depois Arequipa – e ainda inclui alguns tours gratuitos nesse trajeto, como visita à Reserva Natural de Huacachina e Degustação de Pisco.
São várias opções de rotas disponíveis com o Peru Hop, incluindo até algumas na Bolívia (de Puno a Copacabana, e depois La Paz). E você vai escolhendo as datas das viagens e incluindo as infos de hospedagem pelo app, que é bem fácil de usar. Os ônibus são bem confortáveis, tem entrada USB pra carregar celular e às vezes até mantinha, pra trajetos frios. E um guia acompanha você durante toda a viagem, te ajudando com dúvidas ou com o que você precisar.

ONDE SE HOSPEDAR EM CUSCO
As melhores regiões pra se hospedar em Cusco são o Centro Histórico e San Blás (bairro que fica junto ao Centro Histórico, mas mais no alto.
Ficamos numa pousadinha bem gostosa bem no centro, a umas 3 quadras da Plaza de Armas (perto da Plaza San Francisco), super bem localizada. É a Casona Tordo, um casarão antigo e tombado, com quartos privados e áreas compartilhadas: terraço, cozinha e sala de estar (e chá à vontade). Inclui café da manhã bem gostoso, e a diária saiu por 105 soles para um quarto com banheiro privado (uns 150 reais). Os quartos são simples mas tem o necessário – o ruim é que como é antigo, a madeira do piso é bem barulhenta (e o quarto onde ficamos tinha o piso inclinado, meio difícil pra dormir sem rolar pra fora da cama).
A Elisabeth, que recebe os hóspedes, é super querida e fez de tudo pra ajudar a gente – até agendou uma consulta pra mim quando tive uma emergência com uma inflamação no nariz. Eles também tem apartamento completo que você pode alugar, e fica no térreo da Casona (passamos três noites lá). E ainda pudemos deixar nossas malas guardadas lá, sem custo, quando fomos pra Machu Picchu. Recomendo, gostei bastante! E reservando por esse link aqui acima, você ajuda o blog a ficar no ar, sem pagar nada por isso (o booking nos paga uma pequena comissão).

ONDE COMER EM CUSCO
Tem muitas opções de restaurantes em Cusco, alguns até com chefs de renome. A maioiria fica no Centro Histórico ou em San Blás. O cuy, porquinho da índia, é uma das iguarias que a galera curte experimentar no Peru (mas prepare o bolso, é bem caro).
Como nossa trip foi no estilo mochilão, demos prioridade pra comer em locais baratos. Pra gastar pouco numa refeição em Cusco, procure o Menu del Día, com entrada, prato principal e refresco, e num local fora do Centro Histórico. Comemos no Mercado San Pedro (8 soles a refeição, uns 12 reais!), e curti um restaurante passando uns 5 minutos desse mercadão, o Siwinta – é uma cevicheria bem barateza e gostosa, com trio marinho (combo com pratos de frutos do mar) por 25 soles!
A região do Mercado San Pedro (no sentido contrário ao centro histórico) é bem barata,você encontra várias opções de restaurantes com menu barateza. Na Praça São Francisco tem vários restaurantes legais com preços em conta (mesmo estando pertinho do centro histórico), vale dar uma conferida.

Logo vão sair vários outros posts sobre a viagem pelo Peru, Bolívia e Chile, fique ligado
